Paris recusa-se a extraditar ex-Presidente da Tunísia

Autoridades francesas recusaram-se a extraditar o ex-presidente tunisiano Mohamed Moncef Marzouki, após um tribunal de seu país emitir um mandado internacional para prendê-lo.

O relato foi concedido pelo próprio Marzouki, adversário político do atual presidente Kais Said.

Em resposta a Rabeh al-Kharaifi, professor de direito constitucional, que o acusou de ser um cidadão francês, reiterou Marzouki: “Quantas vezes tenho de dizer que não tenho outra cidadania exceto tunisiana? Quantas vezes mais vão repetir a mesma mentira?”

“Eles aprenderam com Goebbels, ministro nazista da propaganda, que afirmou: minta e minta mais, decerto alguns vestígios da mentira sobreviverão”, escreveu Marzouki no Facebook.

O ex-presidente negou também que a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) tenha emitido um mandado de prisão com base em uma sentença outorgada na Tunísia.

Em dezembro, a Corte de Primeira Instância da Tunísia o condenou in absentia a quatro anos de regime fechado, sob acusações de “atacar a segurança externa do estado”.

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Meses atrás, os mesmos juízes despacharam um mandado internacional para prendê-lo, após o presidente Saied acusá-lo publicamente de conclamar uma intervenção estrangeira ao país. Seu passaporte diplomático foi então revogado.

Em comentário prévio concedido à agência de notícias Arabi21, Marzouki reagiu ao veredito emitido contra ele ao minimizar sua importância, dado que foi deferido por “meios ilegais”.

“Não tenho nada a dizer senão rir e escarnecer”, declarou o ex-presidente tunisiano. “Não recebi nenhuma convocação oficial, não indiquei nenhum advogado de defesa, tampouco conheço os detalhes do caso, exceto o que ouvi hoje, como as outras pressoas”.

Marzouki descreveu sua condenação como evidência de que Saied controla o judiciário: “Ficou claro ao longo deste julgamento que suas acusações e veredito foram politizados; portanto, há uma tentativa de retornar a Tunísia a uma situação pior do que no governo de [Zine Ben Abidine] Ben Ali, contra o qual se revoltou nossa população”.

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