Iranianos no exílio demandam julgamento do presidente eleito por lesa-humanidade

Ebrahim Raisi, presidente eleito do Irã, em sua primeira coletiva de imprensa desde a vitória eleitoral, em Teerã, 21 de junho de 2021 [Fatemeh Bahrami/Agência Anadolu]

Opositores iranianos no exílio protestaram em Berlim e outras cidades neste sábado (10), para reivindicar que o presidente recém-eleito e ex-chefe do judiciário da república islâmica, Ebrahim Raisi, seja julgado por crimes de lesa-humanidade, reportou a Reuters.

Manifestantes exibiram bandeiras e cartazes no Portão de Brandenburg, na capital alemã, como parte da Cúpula Mundial por Irã Livre, com a participação virtual do ex-Secretário de Estado dos Estados Unidos Mike Pompeo e do premiê esloveno Janez Jansa.

Em discurso bastante contundente, Maryam Rajavi, presidente eleita do Conselho Nacional de Resistência do Irã, acusou Raisi de ser o “sicário” responsável pelo massacre de 30 mil prisioneiros políticos em meados de 1988.

As organizações Anistia Internacional e Human Rights Watch (HRW) descreveram previamente a vitória de Raisi como golpe aos direitos humanos e exortaram uma investigação por seu papel em execuções extrajudiciais de milhares de presos políticos.

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Teerã jamais reconheceu as execuções em massa e Raisi jamais abordou a questão publicamente. Contudo, alguns religiosos afirmam que os julgamentos foram “justos”, com o intuito de “eliminar” a oposição armada remanescente da Revolução de 1979.

Em discurso online, Pompeo — ex-braço direito de Donald Trump na Casa Branca — condenou a eleição presidencial iraniana como fraude. “Trata-se de um teatro exposto para que todo o mundo veja”, enfatizou o político republicano.

Pompeo denunciou Raisi como líder escolhido a dedo pelo Supremo Líder do Irã Ali Khamenei para “infringir dor, assustar, saquear e pilhar” em nome da teocracia.

O Ministério de Relações Exteriores do Irã reagiu ao acusar “políticos ocidentais” de venderem sua imagem a “um circo europeu organizado por um culto terrorista certa vez apoiado por Saddam [Hussein, ditador iraquiano], com sangue iraniano nas mãos”.

“A sede insaciável por dinheiro e a obsessão anti-Irã mobiliza tamanha hipocrisia ocidental”, declarou Saeed Khatibzadeh, porta-voz da chancelaria iraniana, no Twitter.

‘Políticos comprados do Ocidente — incluindo o trapaceiro Pompeo — vendem-se barato a um circo europeu organizado por um culto terrorista certa vez apoiado por Saddam’, afirmou Saeed Khatibzadeh, porta-voz da chancelaria iraniana

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