HRW exige soltura de mãe egípcia detida por denunciar estupro de seu filho na prisão

Cidadã egípcia exibe o retrato de um parente, vítima do regime militar de Abdel Fattah el-Sisi, na cidade de Minya, Egito, 28 de abril de 2014 [Khaled Desouki/AFP via Getty Images]

A organização internacional Human Rights Watch (HRW) exortou as autoridades egípcias a libertar imediata e incondicionalmente Hoda Abdel Hamid, detida após registrar uma denúncia de tortura e abuso sexual cometidos contra seu filho na prisão.

Abdelrahman Gamal Metwally Al-Showeikh, de 29 anos, está em custódia na Penitenciária de Segurança Máxima de Minya há quinze meses.

A mãe de Abdelrahman, junto de seu pai e sua irmã de 18 anos, foram detidos em 26 de abril, após forças de segurança invadirem a casa da família no Cairo.

O pai e a irmã foram libertados posteriormente, mas Hoda permanece presa.

Em 16 de abril, Hoda compartilhou uma carta de seu filho no Facebook, na qual o jovem descreveu como um outro prisioneiro ajudou carcereiros a amarrá-lo, despí-lo e estuprá-lo.

A postagem viralizou nas redes sociais.

Além disso, Abdelrahman relatou que o dinheiro depositado por sua família junto da administração penitenciária foi expropriado.

Abdelrahman foi espancado com tamanha violência por guardas da prisão que teve de ser hospitalizado mais de uma vez, prosseguiu o relato. Diante de todos os abusos perpetrados por oficiais egípcios, o prisioneiro declarou planejar uma greve de fome.

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A carta identificou nominalmente o prisioneiro e quatro oficiais da penitenciária que cometeram o abuso sexual, em apelo a Hoda para denunciar o grave incidente a entidades de direitos humanos internacionais e à Organização das Nações Unidas.

Declarou:

Hesitei bastante em escrevê-la sobre isso pois sei que vai magoá-la. Peço perdão, mas é muito difícil e tenho de contar … Imploro para que não fique em silêncio

Segundo o irmão mais novo do jovem detido, residente na Turquia, outros presos apresentaram-se à promotoria para reportar que Abdelrahman está submetido a remédios para doenças mentais, apesar de sua família negar qualquer diagnóstico.

Joe Stork, vice-diretor do HRW para Oriente Médio e Norte da África, observou que as autoridades do regime de Abdel Fattah el-Sisi “perseguem os mensageiros” e que “prender a família de Abdelrahman enfatiza o estado abismal da suposta justiça do Egito”.

Abdelrahman foi condenado a 32 anos de prisão por protestar contra o governo, além de alegações de filiação a um grupo terrorista e ataques a veículos de polícia.

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