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Reino Unido quer enviar refugiados a países terceiros para processamento

Migrantes à deriva no Canal da Mancha em Dover, Inglaterra, em 6 de setembro de 2020. [Christopher Furlong/Getty Images]
Migrantes à deriva no Canal da Mancha em Dover, Inglaterra, em 6 de setembro de 2020. [Christopher Furlong/Getty Images]

O Ministério do Interior do Reino Unido deve publicar na próxima semana detalhes sobre o sistema de asilo e imigração do país, que pode incluir mudanças na lei para que os migrantes que procuram asilo possam ser processados em países terceiros.

De acordo com um relatório publicado pelo Times, Gibraltar e a Ilha de Man estão sendo considerados lugares potenciais, assim como as ilhas na costa da Escócia.

Têm sido realizadas discussões com países não pertencentes à UE para receber requerentes de asilo em troca de dinheiro.

Os planos têm atraído comparações com a polêmica política de asilo da Austrália. Se os requerentes de asilo chegam à Austrália de barco ou avião, são enviados para Nauru ou Papua-Nova Guiné para serem ‘processados’, o que pode demorar anos.

No ano passado, vazamentos sugeriram que o Reino Unido planejava enviar refugiados para a Ilha de Ascensão, no Oceano Atlântico.

Funcionários do Ministério das Relações Exteriores analisaram a construção de centros de detenção em Marrocos, Moldávia e Papua Nova Guiné e a transformação de balsas abandonadas no mar em centros de processamento.

LEIA: Líbano coordena retorno dos refugiados com o regime sírio

As intenções são parte do plano do governo para prevenir e impedir que os migrantes cheguem ao Reino Unido.

O número de requerentes de asilo que cruzaram o Canal da Mancha este ano é de três vezes mais do que no ano passado.

No início de março, quatro pequenos barcos transportando 66 refugiados foram recolhidos pela Força de Fronteira do Reino Unido no Canal da Mancha em um dia.

Em dados oficiais divulgados pelo ministro do Interior em setembro de 2020, cerca de metade dos que faziam a travessia em pequenos barcos eram iranianos e cerca de um quarto iraquianos.

A terceira maior nacionalidade é a síria, seguida pelos afegãos e iemenitas.

As instituições de caridade descreveram os planos como “desumanos” e “moralmente repreensíveis”, enquanto o governo afirma que eles se alinham com a convenção europeia sobre direitos humanos.

O governo também sugeriu anteriormente o uso de máquinas de ondas e redes para impedir as pessoas de chegar ao continente britânico.

 

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