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Omã bloqueia app Clubhouse por não ter permissão; alguns temem censura

Dion Foxworth, coanfitrião do evento Stock Market Moves, apresenta o aplicativo Clubhouse, em Joanesburgo, África do Sul, 12 de fevereiro de 2021 [Waldo Swiegers/Bloomberg via Getty Images]
Dion Foxworth, coanfitrião do evento Stock Market Moves, apresenta o aplicativo Clubhouse, em Joanesburgo, África do Sul, 12 de fevereiro de 2021 [Waldo Swiegers/Bloomberg via Getty Images]

O aplicativo de áudio Clubhouse, desenvolvido nos Estados Unidos, foi bloqueado pelo governo de Omã neste domingo (14), por supostamente não possuir a devida autorização para operar no estado do Golfo.

Entretanto, a medida incitou receios de maior erosão das liberdades de expressão no país, reportou a agência Reuters.

O governo não comentou imediatamente o caso, mas a Autoridade Regulatória de Telecomunicações de Omã afirmou ao site de notícias WAF que o aplicativo Clubhouse foi bloqueado por “falta de autorização adequada”.

“Aplicativos de comunicação similares devem obter permissão das autoridades”, afirmou a agência omanense.

Uma hashtag contrária ao bloqueio começou a viralizar nas páginas das redes sociais no sultanato do Golfo. Muitos cidadãos omanenses compartilharam imagens da tela de seus celulares com uma mensagem de erro ao tentar acessar o aplicativo.

“O governo de Omã toma como exemplo o regime autoritário da China e proíbe assim o Clubhouse, utilizado por muitos omanenses como espaço para expressar suas opiniões livremente, sem censura”, declarou em nota a Associação Omanense por Direitos Humanos.

O acesso ao Clubhouse foi bloqueado na China em fevereiro.

Lançado em 2020, o aplicativo desenvolvido em San Francisco, Califórnia, vivenciou um pico no número de usuários após Elon Musk, fundador da corporação Tesla, e Vlad Tenev, diretor da empresa de serviços financeiros Robinhood, conduzirem um debate surpresa na plataforma.

LEIA: A mídia do Egito acusa o aplicativo Clubhouse de abrigar ‘terroristas’

O app tornou-se popular nos países árabes, onde as informações são controladas por governos autoritários, sob risco de prisão por propagar opiniões dissidentes.

O Clubhouse, não obstante, enfrenta ainda duras críticas por relatos de misoginia, antissemitismo e desinformação no combate ao covid-19 em suas redes, apesar de apresentar termos de serviço que supostamente repudiam o discurso de ódio e as fake news.

Os desenvolvedores do Clubhouse alegaram investir agora em ferramentas para detectar e impedir abusos e melhorar a moderação das conversas pelos usuários.

“Espero que a suspensão do Clubhouse em Omã decorra de questões técnicas”, tuitou o escritor omanense Zakaria al-Muharmi. “Impedir as pessoas de falar e ouvir não protege as sociedades; apenas aumenta tensões e as leva ao abismo, ao caos e à confrontação”.

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