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Quase 3.500 palestinos foram mortos durante a era Netanyahu

Parentes de Nur Jabir al-Bergushi (23), morto na prisão israelense do Negev, durante funeral na aldeia de Aboud, perto de Ramallah, Cisjordânia ocupada, 27 de abril de 2020 [Issam Rimawi/Agência Anadolu]
Parentes de Nur Jabir al-Bergushi (23), morto na prisão israelense do Negev, durante funeral na aldeia de Aboud, perto de Ramallah, Cisjordânia ocupada, 27 de abril de 2020 [Issam Rimawi/Agência Anadolu]

Durante o período de Benjamin Netanyahu como Primeiro-Ministro de Israel, quase 3.500 palestinos, incluindo muitas mulheres e crianças, foram mortos e milhares de outros feridos, ao longo de diversos ataques conduzidos pelas forças israelenses.

Apesar das constantes violações de direitos humanos e da lei internacional, nesta semana, Netanyahu logrou êxito ao assinar um acordo de normalização das relações com Emirados Árabes Unidos e Bahrein, mediado por Washington.

Os dados foram divulgados por uma pesquisa abrangente conduzida pela rede israelense de direitos humanos B’Tselem. As informações são da agência Anadolu.

Netanyahu, um dos principais arquitetos da opressão e das violações de Israel contra a população palestina, serviu como premiê israelense durante os dois ataques brutais cometidos  contra a Faixa de Gaza, pequeno território litorâneo sob severo cerco militar de Israel.

Segundo o relatório, quase 3.500 palestinos palestinos foram mortos por ataques israelenses, tanto na Cisjordânia ocupada quanto em Gaza sitiada, desde 2009, quando Netanyahu assumiu o cargo de primeiro-ministro.

Dentre as vítimas, 799 crianças e 342 mulheres.

Duas operações de grande escala

Netanyahu assumiu o cargo de primeiro-ministro por sete mandatos consecutivos, desde 2009. Foi responsável por dar ordens para execução da Operação Coluna da Nuvem, em 2012, e Operação Margem Protetora, em 2014, ambas contra a Faixa de Gaza.

De acordo com o B’Tselem, 167 palestinos foram mortos nos ataques israelenses de 2012.

O ano de 2014 revelou-se um dos mais sangrentos da história palestina, devido à ofensiva lançada por Israel contra Gaza, em 8 de julho, sob o comando direto de Netanyahu.

Segundo relatório da ONU, o Exército de Israel conduziu 6.000 ataques contra a Faixa de Gaza, ao lançar contra o pequeno território de 365m², um total de 50.000 projéteis militares, por cinquenta dias consecutivos.

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A ofensiva israelense de 2014 resultou em 2.251 palestinos mortos, incluindo 551 crianças e 299 mulheres, mais de 11.000 feridos e mais de 1.500 crianças órfãs.

Autoridades palestinas estimaram também que 28.366 casas foram danificadas na Cidade de Gaza, devastada por ataques aéreos. Além disso, 3.329 residências foram totalmente demolidas e 23.445 parcialmente destruídas.

Cerca de 65.000 palestinos ficaram desabrigados em Gaza, onde a infraestrutura foi gravemente comprometida pelos ataques de Israel.

A vitória de Netanyahu [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

A vitória de Netanyahu [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

Massacre aos olhos do mundo

Sob o governo de Netanyahu, além dos brutais ataques de 2012 e 2014, as forças de Israel voltaram a executar um novo massacre na região, em 2018.

Durante manifestações pacíficas conhecidas como Grande Marcha do Retorno, realizadas por meses na fronteira nominal de Gaza, a partir de 30 de março de 2018, soldados israelenses não se abstiveram de utilizar força excessiva, incluindo munição real contra civis palestinos.

Netanyahu mostrou-se intransigente mesmo diante de protestos pacíficos conduzidos na fronteira, que reivindicavam o legítimo direito de retorno dos refugiados palestinos, expulsos à força de suas terras após imposição do cerco a Gaza, via ar, mar e terra, desde 2006.

Evidências em vídeo e relatos em primeira pessoa demonstraram que soldados israelenses cometeram um verdadeiro massacre contra a população palestina de Gaza, em particular, durante os protestos, transmitidos ao vivo por canais de televisão locais e registrados por repórteres de todo o mundo.

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Segundo dados da rede Al Mezan, organização de direitos humanos com sede em Gaza, 215 palestinos foram mortos por soldados israelenses e milhares foram feridos, no decorrer das manifestações.

Entre os palestinos executados pela severa repressão israelense na fronteira: 47 crianças, duas mulheres, quatro profissionais de saúde, dois jornalistas e nove pessoas com deficiência.

Destruição de casas palestinas em Jerusalém ocupada

Durante a era Netanyahu, a pressão sobre os palestinos efetivamente intensificou-se, além dos massacres supracitados.

O governo israelense obstrui o acesso a habitação para os palestinos, em particular, no território ocupado de Jerusalém Oriental, ao manter restrições à construção civil e demolições sistemáticas contra lares palestinos, sob pretexto de falta de alvará.

Segundo o B’Tselem, Israel demoliu trinta residências palestinas em Jerusalém Oriental, ao longo de 2020, até então, mas também obrigou 59 famílias a destruir suas próprias casas por decisão arbitrária e unilateral israelense. Ao todo, 278 pessoas ficaram desabrigadas neste processo, incluindo 141 crianças.

O governo israelense ainda impõe os custos de demolição aos proprietários das casas, de modo que os palestinos são forçados a destruir seus lares com as próprias mãos.

Segundo relatório da B’Tselem, em 2010, um ano após Netanyahu assumir como premiê, registrou-se a destruição de 23 casas palestinas em Jerusalém Oriental. Desde então, violações do tipo aumentaram exponencialmente.

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