14.400 pessoas foram torturadas até a morte na Síria, durante a guerra civil

Membro do Exército Livre da Síria (ELS) posa para foto em frente a uma prisão antes utilizada por forças curdas para deter adversários, então capturada pelas Forças Armadas da Turquia e pelo ELS, conforme avanços da ‘Operação Ramo de Oliveira’, em Afrin, Síria, 24 de março de 2018 [Hisam el Homsi/Agência Anadolu]

Um total de 14.423 pessoas foram documentadas como torturadas até a morte, desde 2011, quando teve início a guerra civil na Síria, ainda em curso, revelou a Rede Síria para Direitos Humanos, com sede no Reino Unido. Mais de 98% das vítimas foram mortas pelo regime do Presidente Bashar al-Assad.

Segundo a organização, todas as principais partes em combate na Síria são culpadas de tortura e violações de direitos humanos. Entretanto, o regime de Assad é de longe o maior perpetrador, responsável direto pela morte de 14.249 pessoas, por meio de tortura extensiva.

 

Índices de morte sob tortura distribuídos entre as partes em conflito na Síria; Assad é o principal perpetrador da prática, incluindo contra 173 crianças e 46 mulheres

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As Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas pelos curdos, são responsáveis por 52 mortes sob tortura, enquanto o Exército Nacional da Síria (ENS) é culpado por 43 mortes. O Estado Islâmico (Daesh) executou 32 pessoas sob tortura, incluindo 14 mulheres. Grupos islâmicos de oposição, como Hay’at Tahrir al-Sham (HTS), são responsáveis por 26 mortes.

Os índices incluem 63 mulheres e 179 crianças. Novamente, as forças de segurança do regime são as principais culpadas por tais casos de morte sob tortura.

“O regime sírio aplica tortura para vingar-se da oposição”, alertou a organização humanitária em junho. Em relatório, registrou 72 métodos de tortura física, psicológica e sexual, aplicados pelo governo contra seus prisioneiros.

Cidadãos detidos pelo regime de Assad sofrem ainda da grave precariedade das condições sanitárias nas prisões. A maioria dos complexos prisionais abriga cerca de cinquenta pessoas em celas que possuem, em média, apenas 24 m² de área.

Segundo fontes da oposição, ao menos 500.000 pessoas estão mantidas atualmente sob custódia da rede penitenciária do regime. Muitas estão desaparecidas; suas famílias não têm qualquer informação sobre o paradeiro ou condições dos prisioneiros.

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