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Grupo israelense planeja evento como Burning Man na Cisjordânia ocupada

Mar Morto, na região de Jericó, cujo acesso palestino é bloqueado por cercas de arame instaladas por Israel, embora seja considerado território palestino conforme os acordos de Oslo, localizado na Cisjordânia ocupada, em 17 de fevereiro [Issam Rimawi/Agência Anadolu]

Um grupo israelense planeja realizar um evento semelhante ao festival Burning Man nos desertos dos territórios ocupados, conforme informações divulgadas pelo jornal britânico The Guardian.

O projeto foi recebido com frustração pelos palestinos e consternação por frequentadores do evento, que argumentam que sua realização em territórios ocupados contradizem os princípios fundamentais do projeto, incluindo responsabilidade cívica, esforço comunitário e fundamentos de inclusão.

O festival Burning Man originalmente é um evento comunitário voltado à arte e cultura, realizado todo ano no deserto de Nevada, Estados Unidos.

Organizadores afirmam que o evento Dead Sea Burn já recebeu aprovação do Exército de Israel para reunir até 15.000 pessoas em terras próximas à fronteira com a Jordânia, entre o Mar Morte e a cidade palestina de Jericó. Entretanto, ainda é necessária autorização policial para que o evento seja realizado na data proposta, em abril.

Yaron Ben Shoshan, co-líder do projeto, alegou que busca encorajar os palestinos a participar do evento e argumentou que seus esforços não são políticos, embora compreenda a razão pela qual foi recebido desta forma.

“O lado ruim é a luta pela área e discutir com ambos os lados e aprofundar a lacuna. O outro jeito de reagir é dizendo: ‘Temos uma oportunidade aqui de mostrar aos nossos líderes que nós, como pessoas, podemos nos comunicar e desfrutar de um bom momento juntos’”, relatou Shoshan ao jornal britânico.

Os palestinos na Cisjordânia ocupada, porém, possuem muito mais restrições de movimento e acesso às localidades propostas do que colonos israelenses. Para participarem do evento, seria necessário autorização de segurança do exército da ocupação, como confirmado pelos organizadores. Residentes ou autoridades palestinas não foram consultadas.

Saeb Erekat, secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), originário de Jericó, afirmou que o convite feito aos palestinos para participar do evento representa “um insulto que encobre a mentalidade colonialista dos organizadores”.

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