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Chefe da CIA ‘por trás do assassinato de Soleimani’ morre em avião abatido no Afeganistão

Manifestantes protestam em Sanaa, capital do Iêmen, contra ataque aéreo americano que resultou na morte do comandante iraniano Qasem Soleimani, chefe das forças al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã, em Sanaa, 6 de janeiro de 2020 [Mohammed Hamoud/Agência Anadolu]

Fontes da inteligência russa alegaram que Michael D’Andrea, chefe de operações da CIA no Irã, responsável pela operação que resultou na morte do general iraniano Qasem Soleimani, faleceu a bordo de um avião espião dos Estados Unidos, abatido ontem na cidade de Ghazni, Afeganistão.

O avião com símbolos da Força Aérea dos Estados Unidos supostamente servia como comando móvel para D’Andrea. Ao longo de sua carreira, o comandante regional da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) adquiriu diversos apelidos, como: Aiatolá Mike, o Príncipe das Trevas e o Coveiro. Trata-se de uma das figuras mais proeminentes da CIA na região, nomeado chefe do Centro da Missão para o Irã em 2017. Segundo observadores, sob a liderança de D’Andrea, a agência assumiu uma postura mais agressiva em relação ao Irã.

O Talibã assumiu responsabilidade pelo abatimento do avião, mas ainda não forneceu evidências. Os Estados Unidos negaram as alegações; porém, admitiram a perda de um avião bombardeiro E-11A, na porção central do Afeganistão. Imagens com conteúdo gráfico de restos carbonizados dos indivíduos a bordo circularam na Internet.

Autoridades afegãs alegaram inicialmente que o avião pertencia à empresa estatal Ariana, contudo foram desmentidas pela companhia aérea. Helicópteros já haviam sido abatidos anteriormente pelo Talibã, mas não se acreditava até então que o grupo paramilitar afegão tivesse ferramentas para abater uma aeronave de reconhecimento em altas altitudes.

Especula-se que a Guarda Revolucionária do Irã possa ter auxiliado no ataque, em particular pois apoio anti-aéreo iraniano já foi concedido previamente ao grupo Talibã. Além disso, as Brigadas Fatimyoun, milícia afegã de orientação xiita, treinada pelas guardas de elite do Irã, também estão presentes no país.

Um jornalista iraniano exilado, antes colunista para o jornal de linha dura iraniano Javan, sugeriu envolvimento da Guarda Revolucionária do Irã, ao tuitar: “O avião de modelo Gulfstream dos Estados Unidos foi abatido no Afeganistão pelo Talibã. Eles dizem que oficiais de inteligência estavam a bordo. Este relato ainda não foi confirmado, mas caso seja, é possível que uma declaração do Irã também surja sobre o caso.”

Outro jornalista iraniano, colunista do jornal Mashregh, considerado próximo da guarda iraniana, tuitou pouco depois da divulgação das notícias: “Atacaremos eles no mesmo nível que estão nos atacando.”

Esmail Qaani, sucessor de Soleimani como chefe das forças al-Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã, possui conexões no Afeganistão desde a década de 1980. Além disso, o General Hossen Salami, comandante-chefe da guarda iraniana, alertou que nenhum comandante militar americano estará seguro caso a administração dos Estados Unidos mantenha as ameaças a comandantes iraniano.

D’Andrea, segundo relatos, converteu-se ao Islã a fim de casar-se com sua esposa muçulmana – originária de uma família rica das Ilhas Maurício, de etnia guzerate. D’Andrea conheceu a esposa em uma de suas missões no Leste da África, quando encontrou-se com o diretor sênior de uma das empresas da família, o Grupo Curimjee.

Especulava-se que D’Andrea era responsável direto por fornecer cobertura às operações da CIA na região. Ele também supervisionou centenas de ataques a drones que, segundo o jornal The New York Times, resultaram na morte de milhares de militantes islâmicos e centenas de civis. D’Andrea é reconhecido por arquitetar o notório método de “ataques por assinatura”, utilizado para assassinar indivíduos com base em seu comportamento, ao não identificá-los plenamente; subsequentemente, tal método foi utilizado para estabelecer perfis de possíveis culpados ou prováveis terroristas.

Michael D’Andrea exerceu papel central na elaboração do programa de interrogatório dos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001, além de coordenar há tempos o Centro de Contraterrorismo da CIA. Assassinatos e tortura foram elementos fundamentais a esta abordagem. D’Andrea também supervisionou a caçada por Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, e esteve envolvido no assassinato de Imad Mughniyah, membro do Hezbollah libanês, em Damasco, capital da Síria.

Estados Unidos versus Irã: quem deverá vencer nesta guerra de influência – cartum [Sabaaneh/Monitor do Oriente Médio]

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