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Exército e políticos de Israel estão divididos sobre uma trégua de longo prazo em Gaza

Civis palestinos inspecionam os escombros de um edifício após ataques aéreos israelenses atingirem a área residencial de Khan Yunis, em Gaza, 14 de novembro de 2019 [Ali Jadallah/Agência Anadolu]

O Exército de Israel e seus oficiais políticos estão divididos sobre a questão de uma trégua duradoura com as facções palestina na Faixa de Gaza ocupada, relatou o jornal israelense Haaretz.

Segundo Amos Harel, correspondente militar do jornal, o “ponto de vista do exército” é que o Hamas “está preocupado principalmente com as condições intoleráveis de vida” no território sitiado.

O Exército de Israel, portanto, “recomendou ao governo que considere reintroduzir medidas econômicas atenuantes de longo alcance sobre a Faixa de Gaza.” Os militares acreditam que o Hamas deseja “um cessar-fogo de longa duração… contingencial para o lançamento de diversos projetos de infraestrutura”.

Tais projetos incluem “melhorar o fornecimento de energia elétrica a Gaza, construir um hospital no posto de controle de Erez, aprimorar sistemas de infraestrutura de água e esgoto e dar início à preparação de projetos de revitalização da zona industrial no posto de controle de Karni.”

O cerco israelense asfixia a vida em Gaza. Pouco antes de ser imposto, mais de 6.000 caminhos entraram no território litorâneo; no ano seguinte, apenas 33 tiveram a entrada permitida. O cerco contra Gaza custou à sua economia US$ 300 milhões apenas em 2018.

Entretanto, o governo israelense não parece estar de acordo com os oficiais militares, tanto como resultado da atual paralisia política que toma conta do país, quanto devido à posições de linha dura assumidas por ministros do governo. Por ora, apenas medidas bastante modestas estão sendo implementadas – como a extensão da zona permitida para a pesca.

Segundo o analista israelense Shlomi Eldar, apesar da urgência em implementar medidas para atenuar o cerco ao território palestino, “qualquer suspensão das restrições sobre Gaza deverá esperar até o resultado das novas eleições israelenses e a formação de um novo governo.”

“Israel provavelmente estará atolado neste impasse político, completamente paralisado, no mínimo pelos próximos seis meses. O Hamas não irá esperar,” acrescentou Eldar. “Dadas as condições desesperadoras dos dois milhões de palestinos residentes no território litorâneo … Gaza precisa de muito mais do que cem ou duzentas licenças de trabalho adicionais.”

Embora Eldar especule que Naftali Bennett – Ministro da Defesa de Israel – provavelmente tenha dificuldades em adotar um tom mais moderado, devido à retórica antes adotada em relação à necessidade de uma “solução” militar contra o Hamas e outros grupos, Harel sugere que Bennett possa ser receptivo ao ponto de vista do Exército.

“Em contraste ao Exército, neste contexto, Bennett não utiliza a palavra hasdara (acordo) explicitamente, para evitar a impressão – bem fundamentada – de que está efetivamente ocorrendo neste momento negociações indiretas com o Hamas,” escreveu Harel.

Entretanto, Bennett acredita que “Israel precisa voltar a impor seu poder de influência sobre Gaza por meio de ataques ainda maiores em resposta ao lançamento de foguetes contra o território israelense.”

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