Forças israelenses prendem pesquisador da ong de direitos humanos B’Tselem

Na última semana, forças da ocupação de Israel prenderam o pesquisador para o ong de direitos humanos israelense B’Tselem, sob pretexto de que participou e fotografou protestos contra postos avançados de assentamos ilegais na Cisjordânia ocupada. As informações são do jornal israelense Haaretz.

Arif Daraghmeh, de 50 anos de idade, foi detido no posto de controle de Tayasir na última quinta-feira (31) e liberado somente durante a madrugada. Segundo o pesquisador de direitos humanos, a detenção tinha como único objetivo intimidá-lo.

Daraghmeh relatou ao Haaretz que chegou ao posto de controle em um veículo acompanhado por amigos. “Os soldados imediatamente passaram a nos fazer perguntas estranhas, se havia alguma atividade prevista para aquele dia ou se pretendíamos plantar oliveiras,” afirmou. “Eles ligaram para um oficial da Administração Civil [autoridades da ocupação], que também parecia interessado em saber se havia alguma atividade planejada para o Vale do Jordão.”

O pesquisador então escutou um oficial do Exército de Israel afirmar que possuíam um vídeo dele participando de uma manifestação no dia 26 de outubro, em protesto contra o posto avançado de assentamentos ilegais de Shirat Ha’asavim, no Vale do Jordão.

Em seguida, Daraghmeh foi levado para uma base militar próxima ao assentamento de Mehola, onde foi deixado “sentado no portão, embaixo do sol, sem algemas ou restrições”.

Às dez horas da noite, Daraghmeh foi transferido para uma delegacia no assentamento de Ariel, onde foi “interrogado sobre sua presença nos protestos contra o assentamento e também sobre outro protesto que ocorreu pouco depois perto da aldeia de Ein al-Biddya.” Daraghmeh respondeu aos oficiais que esteve presente para exercer seu trabalho.

O pesquisador foi enfim liberado às três horas da madrugada da sexta-feira (1°).

Um porta-voz do Exército relatou ao Haaretz que o pesquisador palestino foi “preso por suspeitas de perturbar a paz”, durante “operações de rotina”.

Segundo a reportagem do jornal israelense, “o posto avançado de Shirat Ha’asavim se expande desde 2016, a despeito de ordens emitidas que determinam que as obras sejam interrompidas,” incluindo obras de construção de uma estrada exclusivamente judaica entre o assentamento e outro posto avançado ilegal – Givat Salit –, o qual “está em processo de ser legalizado”.

“Pastores palestinos afirmam que colonos do Shirat Ha’asavim lhes restringiram o acesso à terras pastoris, utilizadas pelos habitantes nativos há décadas,” reiterou o Haaretz.

Sair da versão mobile