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A corrida pelo fracasso da Palestina: a defesa de dois estados e o “acordo do século” de Trump

Palestinos protestam contra o 'acordo do século', planejado pelo presidente dos EUA Donald Trump para resolver o conflito entre a Palestina e Israel, em Ramallah, Cisjordânia em 2 de julho de 2018 [Shadi Hatem / Apaimages]

Enquanto a revelação do “acordo do século” pelo presidente dos EUA Donald Trump permanece incerta e provavelmente será adiada, a comunidade internacional se opõe à proposta e a considera um incentivo para se posicionar firmemente a favor do compromisso dos dois Estados – que o secretário geral, da ONU, Antonio Guterres, têm descrito repetidamente como a única possibilidade. Nos EUA, um cenário similar está se formando.

Uma resolução elaborada pelo senador republicano Lindsey Graham e pelo senador democrata Chris Van Hollen levantou a ira de Israel por seu endosso ao compromisso de dois Estados. Diplomatas israelenses, segundo relatos, têm feito lobby pela remoção da cláusula de dois estados do texto.

Os palestinos, por outro lado, foram eliminados do processo, exceto pela referência obrigatória, e isso não se deve à recusa da Autoridade Palestina em aceitar as perspectivas americanas para um acordo. A insistência no compromisso com dois estados gradualmente reduziu o foco dos direitos palestinos pela a vontade da AP de acomodar a comunidade internacional. Portanto, a postura da AP é apenas a mesma a fachada com qual se comprometeu desde sua criação.

Em abril passado, ex-diplomatas da União Europeia (UE) insistiram que o bloco deveria “formalmente reafirmar” seu acordo com o paradigma dos dois estados e refutar o plano dos EUA. A razão, no entanto, foi a posição internacional da UE em relação a seu suposto papel na construção da paz, em vez de reconhecer que os direitos palestinos são inexistentes na hipótese dos dois estados. Com um prolongado confronto diplomático entre os EUA e a comunidade internacional sobre o plano a ser seguido pela Palestina, e com a AP defendendo persistentemente os dois estados, apesar das perdas que os palestinos sofreram, as últimas sobras pretendidas foram eliminadas.

Nenhuma entidade sequer propôs o óbvio – perguntar ao povo palestino o que ele quer – e a razão é evitar um desvio do processo histórico de interferência internacional que criou um estado colonial na Palestina. Em vez disso, a batalha diplomática foi arrastada para um campo paralelo em que atores externos tomam decisões preocupados apenas com os benefícios que sua interferência trará para melhorar sua posição internacional.

O acordo de Trump – Cartoon [Sabaaneh / Monitor do Oriente Médio]

O mesmo processo está sendo repetido nos EUA, colocando os defensores dos dois estados contra o acordo de Trump. Se o governo Trump não tivesse inventado um novo plano destinado a fracassar com os palestinos, toda a comunidade internacional continuaria a pressionar os palestinos à sua diplomacia. Com duas perspectivas explicitando desastre para os palestinos, a corrida para qual os levará primeiro ao fracasso já começou.

O modo como a AP continua a se limitar a uma escolha entre as duas opções desastrosas está favorecendo uma completa manipulação dos direitos palestinos. A recusa do líder da AP, Mahmoud Abbas, em entreter as maquinações dos EUA não tem valor enquanto sua facção ainda está apoiando outra forma de facilitar a colonização da Palestina por Israel.

De fato, a postura da AP é remanescente da recusa de Jared Kushner (genro de Trump, que negocia o acordo do século) em discutir uma hipótese de dois estados, em termos de quão prejudiciais ambos os resultados são para os palestinos.

Enquanto finge se opor ao acordo de Trump, a comunidade internacional está pressionando por um paradigma que, secretamente, leva aos mesmos resultados. É apenas por causa da hostilidade generalizada que Trump gerou desde que assumiu o cargo, que a ilusão de duas alternativas para uma solução se tornou arraigada e que agora está sendo jogada em todo o mundo em total conformidade.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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