Nova proposta do Hamas esboça troca de prisioneiros, Israel sugere recusa

O Hamas apresentou um novo plano de cessar-fogo em Gaza, incluindo a libertação dos prisioneiros de guerra israelenses mantidos no enclave em troca de presos políticos palestinos nas cadeias da ocupação — entre os quais, cem condenados à prisão perpétua.

A proposta foi encaminhada aos mediadores internacionais — Egito, Catar e Estados Unidos.

As informações são da rede de notícias Al Jazeera.

A troca deve envolver entre 700 e mil palestinos detidos arbitrariamente nas cadeias da ocupação. Segundo a agência Reuters, a medida deve abarcar mulheres alistadas ao exército israelense capturadas em 7 de outubro.

Nesta quinta-feira (14), no entanto, o premiê israelense Benjamin Netanyahu repetiu a alegação de que a proposta se baseia em “demandas não-realistas”. O gabinete de guerra deve se encontrar nesta sexta-feira para debater uma resposta.

De Jerusalém Oriental, comentou Willem Marx, correspondente da Al Jazeera: “O ponto central nas negociações, que vem sendo um desafio irreconciliável a ambas as partes nas últimas semanas, é essencialmente o ultimato de Israel de uma ‘vitória absoluta’ sobre o Hamas, contra os apelos do grupo por um cessar-fogo permanente”.

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Às vésperas do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos, negociações por cessar-fogo em Gaza não obtiveram resultados, sob a persistente negativa israelense apesar da pressão doméstica e internacional.

Os mediadores passaram semanas tentando aproximar as partes, à medida que se aprofunda a crise humanitária em Gaza. No entanto, sem êxito.

Em Gaza, após cinco meses de cerco absoluto e bombardeios israelenses, um quarto da população civil sofre de fome.

Nesta sexta-feira, o presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi disse esperar conquistar um cessar-fogo, ampliar as remessas humanitárias e permitir que deslocados do norte retornem a suas casas, após uma violenta varredura israelense que os empurrou ao sul.

Sisi voltou a advertir contra uma invasão por terra a Rafah, na região de fronteira, que abriga hoje 1,5 milhão de refugiados palestinos.

Cessar-fogo permanente

A última proposta do grupo palestino Hamas pede um prazo para um cessar-fogo permanente e retirada das tropas israelenses em Gaza, após uma troca preliminar de prisioneiros realizada entre as partes. Em um segundo momento, todos os reféns devem ser libertados.

Em nota, o Hamas disse encaminhar aos mediadores uma “visão abrangente” da trégua com base em cessar a agressão israelense, retirar tropas ocupantes do enclave, providenciar assistência à população carente e possibilitar seu retorno a suas casas.

Segundo Mustafa Barghouti, secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestina, a proposta é “muito mais flexível e prestativa” do que as anteriores.

“O principal ponto em disputa é que os movimentos da resistência insistem que as pessoas evacuadas à força — sob o bombardeio de suas casas — possam voltar à região norte, enquanto Israel deseja discriminá-las”, observou Barghouti.

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“Veja só — querem permitir [o retorno] de mulheres e crianças, mas não homens. Querem dividir famílias e isso não é aceitável”, acrescentou.

Segundo Barghouti, Netanyahu deve impor “todo obstáculo possível para impedir o acordo porque sabe que, uma vez encerrada a guerra, irá para a prisão”.

O premiê israelense é alvo de protestos renovados contra seu governo. Manifestantes israelenses o acusam de falhar em 7 de outubro e não priorizar a soltura dos reféns. Netanyahu é também réu por quatro casos de corrupção e crime de responsabilidade.

Em fevereiro, o Hamas recebeu uma proposta das negociações em Paris que previam 40 dias de cessar-fogo e troca de prisioneiros na proporção de dez para um. O grupo palestino ofereceu um cronograma escalonado para as medidas; contudo, sem o aval de Israel.

Israel mantém ataques a Gaza desde 7 de outubro, deixando 31.272 mortos, 73.024 feridos e dois milhões de desabrigados. Dois terços das vítimas são mulheres e crianças.

As ações são retaliação a uma operação do Hamas que cruzou a fronteira e capturou colonos e soldados. Segundo o exército israelense, cerca de 1.200 pessoas morreram na ocasião.

No entanto, reportagens investigativas do jornal israelense Haaretz mostraram que parte considerável das fatalidades se deu por “fogo amigo”, sob ordens gravadas de líderes militares para que suas tropas atirassem em reféns e residências civis.

Apesar de uma ordem do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), sediado em Haia, de 26 de janeiro, Israel ainda impõe um cerco militar absoluto a Gaza — sem comida, água, medicamentos, energia elétrica ou combustível.

As ações israelenses são punição coletiva, crime de guerra e genocídio.

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