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Diáspora palestina na América Latina

Protesto contra os ataques em Gaza, em Santiago, capital do Chile, em julho de 2014. O cartaz diz: “Humanidade, somos Palestina!” [Eliseo Fernandez/Scenearabia]

Somos testemunhas de como a ocupação israelense dividiu o povo palestino, ao construir diferentes classes e categorias entre a população, através de mais de 65 leis israelenses que discriminam, direta ou indiretamente, cidadãos palestinos em Israel e/ou palestinos residentes nos Territórios Palestinos Ocupados (TPO). Há também palestinos que vivem no exterior, em campos de refugiados pelo mundo árabe, ou pessoas que emigraram à procura de melhores oportunidades para as novas gerações.

Uma grande quantidade de palestinos vive na América Latina. Embora não enfrentem os problemas mencionados anteriormente, são esquecidos como parte da coluna vertebral do povo palestino, em circunstâncias nas quais poderiam ser o pulmão que revigora o movimento de solidariedade internacional pelo fim da ocupação e por respeito aos direitos palestinos. Como comunidade palestina do Chile, nosso trabalho costuma ser exercido em duas frentes. A primeira tem como objetivo ampliar a conscientização em nossas próprias sociedades sobre a realidade atual na Palestina; destacamos a limpeza étnica e o apartheid, mas também a resistência e o desejo de alcançar justiça, igualdade e liberdade.

A segunda frente é focada na comunidade palestina, com o propósito de nos unir em torno de nossa identidade, chamando todos os palestinos à nossa organização guarda-chuva, para termos uma voz unificada ante as autoridades chilenas. Os palestinos no Chile são absolutamente integrados; temos orgulho de fazer parte do país em que vivemos, mas também temos orgulho de nossas origens. Essa é a mensagem que tentamos transmitir. Após mais de cem anos de nossa presença no Chile, o desafio é manter nossa identidade viva e barrar o objetivo sionista: esquecer nossa causa nacional e a terra de onde viemos.

A comunidade chilena de palestinos na diáspora é a maior – e uma das mais antigas – fora do mundo árabe [Felipe Trueba/EPA]

Corremos o risco de assimilação e aculturação. Por isso, precisamos de organizações fortes e coordenação entre todas as comunidades palestinas na América Latina e ao redor do mundo; em nossa diáspora, perspectivas claras e estratégias de longo prazo são necessárias em nome da causa palestina.

O avanço econômico israelense na região é sem precedentes. Portanto, a diáspora palestina tem um papel importante a desempenhar. Hoje somos capazes de encontrar palestinos em quase todas as áreas de interesse do Chile: social, cultural, econômico e político. O sucesso e as altas posições evidentes na comunidade demonstram que os palestinos na América Latina são diferentes do que eram 50 anos atrás. Dessa forma, aqueles que trabalham pelos direitos palestinos podem aproveitar os laços da diáspora palestina com as elites, como forma de alcançar os governos atuais.

Há esperança de mudança enquanto houver melhor organização e se capitalizarmos nossas influências. Rashida Tlaib, em exercício no Congresso dos Estados Unidos, Nayib Bukele, como Presidente do El Salvador, ou o Grupo Interparlamentar Chile-Palestina – coalizão de parlamentares chilenos de partidos de esquerda e de direita – são exemplos de integração, mas também ilustram os desafios que enfrentamos na construção de um sentimento de pertencimento e na formação e coordenação de alianças e estratégias conjuntas.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a política editorial do Middle East Monitor.

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